A vacina contra o Papiloma Vírus Humano (HPV) é eficaz?

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HPV é um vírus sexualmente transmissível muito comum em jovens. A maioria dessas infecções são eliminadas pelo sistema imune, porém alguns tipos de HPV (alto risco) persistem e causam uma infecção crônica, na maioria das vezes colo uterino, mas também na boca, garganta e região anal.

Quando o HPV persiste, pode levar ao desenvolvimento de células anormais em cada uma das regiões acima citadas. No colo uterino, quando ao menos 2/3 das camadas de células desta região se mostram alteradas, podemos falar em lesões pré câncer que são conhecidas como NIC 2 e 3 (neoplasia intraepitelial cervical) ou AIS (adenocarcinoma in situ) que é o câncer propriamente dito mas localizado, de forma inicial. Se estas lesões não forem tratadas, podem desenvolver câncer cervical invasivo em alguns anos.

Aproximadamente 70% dos cânceres de colo uterino são causados pelos tipos 16 e 18. Taxas semelhantes também são observadas em câncer de pênis, vulva e ânus. Na orofaringe os cânceres provocados por HPV são mais variáveis. Nos EUA e Brasil 80% dos cânceres de orofaringe são provocados por HPV, predominando o 16.

Quanto as verrugas genitais, 90% delas são causadas pelo tipo 6 e 11. Os tipos 6, 11, 16 e 18 estão presentes na vacina comercializada no Brasil e disponível no SUS.

Mas afinal, a vacina é eficaz?

Para demonstrarmos que a vacina previne contra o câncer HPV, precisamos de mais alguns anos de observação. As vacinas foram licenciadas há 11 anos atrás e vários países foram introduzindo aos poucos nos seus programas públicos de vacinação.

No Brasil, a vacina quadrivalente foi inserida no SUS em 2014, para meninas de 9 a 14 anos de idade e nos meninos em 2017. Portanto, ainda temos pouco tempo para observação na redução do câncer de colo uterino em mulheres ou câncer anal ou orofaringe em homens.

O que os estudos conseguiram demonstrar foi uma proteção muito vigorosa em populações de mulheres jovens de 15 a 24 anos de idade vacinadas contra o HPV – NIC2 e NIC 3 e AIS.

Em jovens mulheres de 15 a 26 anos sem infecção prévia por HPV 16 e 18 (que é o tipo contido na vacina), houve uma redução de NIC 2 associadas ao HPV16/18 de 164 casos (mulheres não vacinadas) para 2/10,000 (mulheres vacinadas). Para NIC 3, houve 70 casos por 10,000 em mulheres não vacinadas contra 0 caso por 10,000 em mulheres vacinadas. Em mulheres de 24 anos ou mais, houve uma redução 45/10.000 casos (em não vacinados) para 14/10,000 (em vacinadas), ou seja, uma proteção moderada.

Estes achados demonstram que a vacina contra o HPV tem maior impacto em diminuir lesões pré câncer mais eficazmente em mulheres mais jovens, antes do início da atividade sexual.

Com relação a redução de verrugas genitais, a Austrália que oferece gratuitamente a vacina contra o HPV desde 2007 para mulheres de 9 a 27 anos de idade, demonstra uma redução de mais de 60%. Antes de 2006 (do início da vacinação), a taxa de verrugas genitais entre mulheres jovens era de 4,33 por 1000 mulheres. No período de 2008 a 2012 esta taxa caiu para 1,67 por 1000 mulheres, não tendo havido diminuição de outras Infecções sexualmente transmissíveis, sugerindo uma proteção causada pela vacinação.

Podemos concluir até aqui que a vacina é altamente eficaz na proteção contra as doenças causadas pelo HPV, especialmente em mulheres mais jovens (15 a 26 anos). A proteção é menor para quem já foi infectado pelo HPV, mas pode ser estimulada dada a sua segurança.  A vacina não está associada a mortes ou eventos adversos graves. A vacinação deve ser estimulada especialmente nesta faixa etária (15 a 26 anos).

Em tempos de tantos problemas na saúde pública do Brasil, a oferta dessa vacina é um direito conquistado do cidadão brasileiro através dos impostos que paga anualmente. Vamos usufruí-lo!

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