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Bravacinas. Queda na cobertura vacinal

País registra queda na cobertura de 9 vacinas; especialista acredita que brasileiros esqueceram da importância das imunizações

Estudo mostra redução significativa nas aplicações da vacina BCG, da primeira dose da tríplice viral e da proteção contra hepatite B, entre outras. Cobertura vacinal está em queda desde 2015. Enfermeira Miriam Fuck alerta para proteção em jovens e adultos

Uma análise divulgada pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps) no início do mês, feita com base em dados do Ministério da Saúde, mostra que os brasileiros estão deixando de se vacinar mais a cada ano. Em 2020, menos da metade das cidades atingiu as metas do Plano Nacional de Imunização (PNI) para nove vacinas, como BCG e pentavalente. Na análise da enfermeira Miriam Regina Fuck, responsável técnica pela Bravacinas – Clínica de Vacinação, com unidades em Balneário Camboriú e Itajaí, uma das razões para a queda da cobertura vacinal é o sucesso das grandes campanhas de vacinação das décadas de 80 e 90, com as quais se conseguiu controlar muitas doenças.

“Como tantas mortes evitáveis por vacina e como casos de paralisia infantil, por exemplo, pararam de estampar os jornais diariamente, as pessoas perderam o medo. É comum vermos um adulto se preocupar com a carteira de vacinação do bebê ou da criança, já que o pediatra cobra e que alguns contextos requerem isso, como a matrícula na escola. No entanto, ele esquece de se vacinar e de se proteger, mesmo existindo um calendário de vacinação exclusivo para o adulto”, explica a especialista.

A maior queda na cobertura foi da vacina contra hepatite B, aplicada em crianças de até 30 dias: quase 16 pontos percentuais, indo de 78,6% em 2019 para 62,8% em 2020. Em seguida, vêm a vacina BCG, contra tuberculose, com redução de 13,4%; e a primeira dose da tríplice viral [contra sarampo, caxumba e rubéola] com 13,6%.

As outras vacinas que registraram queda foram Poliomielite, hepatite A, rotavírus humano, pneumocócica e meningite C. A pentavalente, que protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e a bactéria Haemophilus influenzae tipo B, teve aumento de 6,1%, mas ainda está abaixo do recomendado pelo PNI. A taxa de vacinação recomendada é de 90% para BCG e rotavírus, enquanto é de 95% para as demais citadas.

Queda gradativa – As reduções na cobertura vacinal vêm sendo registradas desde 2015, muito antes da pandemia da Covid-19. É o caso da meningite C que, em 2015, tinha cobertura de 98,2%. Em 2020, foi registrado 78,2%. Isso representa 9,2 pontos a menos do que no ano anterior. O índice levanta o alerta para uma doença que pode levar à morte em menos de um dia ou causar sequelas permanentes como amputação de membros, surdez, perda de memória e problemas nos rins, para citar alguns exemplos.

“Os dados apresentados pela Ieps sinalizam que estamos distantes de ter a quantidade necessária de pessoas vacinadas para que ocorra a imunidade coletiva de inúmeras doenças. Por isso, é importante que os brasileiros procurem se informar sobre as vacinas que precisam para se proteger por completo, seja no SUS ou em clínicas de vacinação. Principalmente adolescentes, jovens e adultos, que muitas vezes esquecem de atualizar a carteirinha”, reforça Miriam.

Pandemia – Outra hipótese é que a queda na cobertura vacinal pode ter sido agravada no último ano por conta da pandemia da Covid-19. Uma pesquisa do Ibope Inteligência constatou que 29% dos pais adiaram a vacinação dos filhos desde o início da crise sanitária.

“É um momento de alerta, sim, mas vale ressaltar que tanto o SUS como clínicas de vacinações seguem recomendações para atendimento ao público durante a pandemia, bem como reforçaram as normas de proteção individual e em grupo. É mais que importante que as pessoas procurem se imunizar, já que só assim iremos reduzir a transmissão de doenças que estão controladas mas podem voltar a preocupar os órgãos competentes. Vacinar é um ato de proteção, consigo mesmo e com as pessoas ao seu redor”, comenta a enfermeira.

As vacinas que apresentaram queda na cobertura estão disponíveis, gratuitamente, no SUS para as faixas etárias consideradas de maior risco. Pessoas que não são contempladas pelas Unidades de Saúde públicas, podem se imunizar na rede privada.

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