Você que tem uma doença pulmonar crônica, está protegido por vacinas?

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Infelizmente existem muitas pessoas que sofrem com doenças pulmonares como bronquite crônica ou asma. Mas qual a relação entre elas e as doenças infecciosas? Bom, os pacientes portadores de doenças crônicas, especialmente as pulmonares, precisam de um cuidado diferenciado, que vai além das recomendações de vacinação dos calendários básicos.  A vacinação oferece a redução do risco de descompensação da doença de base, por isso deve ser indicada durante a avaliação médica.

As exacerbações das doenças respiratórias crônicas (por causa infecciosa), são responsáveis por enorme morbidade (adoecimento) e mortalidade – as que acometem o trato respiratório inferior, por exemplo, são a terceira causa de mortalidade no mundo.

O tratamento da infecção implica custos financeiros, aumento da risco de outros problemas de saúde, morte e possibilidade de incremento de resistência aos antibióticos.

As doenças respiratórias responderam, em 2013, por 11,75% de todas as internações hospitalares do SUS. A asma, a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e a pneumonia adquirida na comunidade (PAC), foram as mais frequentes.  É importante destacar que o tabagismo é um agravante, pois está associado à redução da imunidade de mucosa e também atua como fator de risco para as infecções respiratórias.

A bactéria mais importante causadora das pneumonias é o pneumococo. As infecções pelo vírus Influenza (gripe), favorecem infecções bacterianas secundárias e são agentes de impacto mundial,  não relacionados apenas a grandes epidemias (H1N1, em 2009, por exemplo).

Já a coqueluche, doença reemergente em nível global, tem apresentado incidência crescente, particularmente nos últimos anos, causando adoecimento mais severo nos pacientes com alteração da função pulmonar.

O objetivo de vacinar pacientes com doenças respiratórias incluindo tabagistas é:

– reduzir a suscetibilidade e o risco de quadros infecciosos graves;

– prevenir a descompensação de doenças crônicas de base causada por infecções;

– melhorar a qualidade e a expectativa de vida desses pacientes;

Doenças respiratórias prevenidas por vacinas

Existem algumas doenças respiratórias que podem ser prevenidas com vacinação, como por exemplo a vacina contra doença Pneumocócica, contra coqueluche, contra gripe (influenza) e vacina contra o Haemophilus Influenza tipo B.

Existem 3 tipos de vacina contra o Pneumococo: vacina Pneumocócica Polissacarídica 23 Valente (VPP23)  e Pneumocócica conjugada VP10 e VP13.

Contém polissacarídeos da cápsula de 23 sorotipos do Streptococcus pneumoniae: 1, 2, 3, 4, 5, 6B, 7F, 8, 9N, 9V, 10A, 11A, 12F, 14, 15B, 17F, 18C, 19A, 19F, 20, 22F, 23F e 33F. Esses sorotipos são responsáveis por cerca de 90% dos casos de infecções pneumocócicas invasivas, como no Brasil e no mundo. Sua eficácia relatou efetividade estimada de 82%. A duração da proteção obtida com o uso da VPP23 não é longa e doses de reforço parecem estar relacionadas com respostas imunes sub-ótimas. Indicada a partir de 2 anos de idade para pacientes com doenças pulmonares crônicas.

Vacinas conjugadas (VPC10 e VPC13)

Há duas vacinas conjugadas licenciadas no Brasil para uso em crianças (contendo 10 sorotipos -VPC10) ou 13 (VPC13) sorotipos de pneumococo para uso em crianças e adultos. A vacina pneumocócica conjugada 13-valente (VPC13), que contém antígenos dos sorotipos 1, 3, 4, 5, 6A, 6B, 7F, 9V, 14, 18C, 19A, 19F e 23F, também está licenciada para adultos com mais de 50 anos e em crianças.

Os menores de 50 anos com doenças crônicas incluindo os portadores das doenças respiratórias tem forte recomendação para esta vacina. A conjugação dos polissacarídeos do pneumococo a uma proteína transportadora (vacina conjugada) resulta em antígeno capaz de induzir uma resposta imunológica T dependente, portanto mais robusta, capaz de eliminar o estado de portador da bactéria na mucosa respiratória inclusive em pacientes imunossuprimidos.

Vacina contra coqueluche

A infecção e a imunização pela Bordetella pertussis (causadora da coqueluche) não levam à imunidade permanente. A ausência de reforços ao longo da vida, leva a um aumento de casos em adolescentes e adultos jovens que, em geral, apresentam a doença com poucos sintomas e passam a ser responsáveis pela sua disseminação para a população mais suscetível que são os bebês.

Pacientes com comorbidades, entre eles os pneumopatas, têm risco maior de quadros mais graves e complicações se infectados pela Bordetella pertussis.

Para imunização de adolescentes, adultos e idosos, o componente pertussis é contemplado na vacina tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (dTpa) que contém também os toxóides tetânico e diftérico, e na vacina quádrupla bacteriana acelular do tipo adulto (dTpa-VIP), contendo, além dos já mencionados, também antígenos inativados da poliomielite.

Na pediatria (para menores de 7 anos) está disponível na rede pública (vacina de células inteiras) e privada (vacinas acelulares) em diversas combinações diferentes e faz parte da rotina do calendário da criança. Para o reforço em crianças maiores de 4 anos, adolescentes, adultos e idosos, as vacinas dTpa e dTpa-VIP estão disponíveis apenas na rede privada. A vacinação de gestantes com dTpa, considerada prioridade para a proteção de lactentes, está disponibilizada na rede pública.

Vacina contra o Haemophilus influenzae do tipo b (Hib)

Esta bactéria é causadora de doença invasiva, particularmente meningite, mas também sepse, pneumonia, epiglotite, celulite, artrite séptica, osteomielite e pericardite. A meningite por Hib pode resultar em sequelas auditivas ou neurológicas em 15% a 30% dos sobreviventes e apresenta taxa de letalidade de 2% a 5%, mesmo com tratamento adequado.

Antes da adoção da vacinação rotineira de crianças menores de 5 anos, o Hib era o responsável pela maioria das formas graves de pneumonias e meningites bacterianas nesse grupo. Algumas condições, tanto em crianças como em adultos, são consideradas fatores de risco para a doença invasiva pelo Hib, em especial as imunodeficiências.

Embora sem evidências científicas que respaldam uma recomendação especial da vacina Hib para pacientes adultos portadores de pneumopatias crônicas, ressaltamos que o Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (Cries) do SUS em seu manual, recomenda a vacinação dos menores de 19 anos não vacinados na infância e disponibiliza o imunobiológico para esses pacientes.

A vacina Haemophilus influenzae do tipo b (Hib) é inativada e altamente imunogênica, inclusive em pacientes de alto risco para a doença invasiva, como os portadores de doença falciforme, asplenia catatônica ou funcional, leucemia, HIV (de acordo com o estágio da doença).

A vacina faz parte do calendário básico do PNI, compondo a vacina quíntupla (difteria, tétano, pertussis, Hib e hepatite B) para crianças entre 2 e 6 meses e está disponível nos postos públicos de saúde. Nos Cries, como já foi dito, está disponível (na forma isolada) para portadores de pneumopatias crônicas e outros grupos de alto risco com menos de 19 anos de idade. Na rede privada está disponível nas formas isolada e combinada com outras vacinas para todas as faixas etárias a partir de 6 semanas de vida.

Vacina contra Gripe ou Influenza

A infecção por Influenza favorece infecções respiratórias bacterianas secundárias, e o pneumococo e o estafilococo são os agentes mais relatados. A vacinação é a medida mais eficaz para prevenir a gripe e reduzir a adoecimento e complicações entre portadores de doenças respiratórias. A vacinas disponíveis são constituídas de vírus inativados e fragmentados (portanto, sem risco de infectar o paciente) e trivalentes (com três cepas virais: dois subtipos A [H1N1 e H3N2] e um subtipo B, conforme orientação anual da Organização Mundial de Saúde[OMS]).

Uma vacina quadrivalente, contendo uma segunda cepa B, está disponível na rede privada.  A duração da proteção conferida pela vacinação é de cerca de um ano. Em idosos, estima-se que a eficácia protetora da vacina na prevenção de doença respiratória aguda seja de cerca de 60%. No entanto, os reais benefícios da vacina estão na capacidade de prevenir a pneumonia viral primária ou bacteriana secundária, a hospitalização e a morte. A vacina está disponível nos postos de saúde (para menores de 5 anos, maiores de 60 anos e pessoas de todas as idades portadoras de comorbidades, gestantes, população indígena e profissionais da saúde), e nas clínicas privadas de vacinação para todas as faixas etárias e grupos.

 

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